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SEMANA SANTA DE PORTAS ABERTAS

SEMANA SANTA DE PORTAS ABERTAS

03/04/2023 14h54 | 597

Instituições municipais promovem aula aberta sobre os tradicionais Passos da Paixão pelas ruas do centro; Procissão do Encontro no dia 04 de abril dá início às celebrações da Semana Santa

Tanto turistas quanto paratienses passam por elas cotidianamente e poucos se dão conta da grandiosidade por trás dos portais. Ao todo são seis pelo Centro Histórico representando o itinerário do costume, expressão muito utilizada anteriormente para descrever a via dolorosa. Estamos falando dos Passos da Paixão, materialização sociocultural do século 18 integrada à Semana Santa, que remontam às seguintes cenas referentes à última fase da vida de Cristo na Terra:
1o Passo - Representação de Jesus em oração no Horto das Oliveiras;
2o Passo - Prisão de Cristo;
3o Passo - Flagelação (açoites);
4o Passo - Coroação de espinhos;
5o Passo - Pretório (julgamento);
6o Passo - Subida para o calvário.

Manifestação cultural em diferentes aspectos, justamente por sistematizar saberes e fazeres perpassados ao longo do tempo, esse conjunto de elementos é originário de Portugal ainda sob o reinado de D. João 5o, o Magnânimo, fato esse que influencia o estilo dos retábulos, painéis, portadas e recheios dos passos. O rococó é outra confluência artística marcadamente presente as peças em madeira mimetizadas com traços e cores de mármore.

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Paraty não é o único lugar a manter o rito litúrgico e cultural dos Passos da Paixão, celebrados em 2023 durante a primeira semana de abril. Cidades de Minas Gerais como Ouro Preto e Tiradentes, a vizinha paulista Cunha e locais da região Nordeste como Cachoeira (BA) e Sobral (CE) compartilham nuances da mesma devoção. Cada lugar perpetua as próprias características e particularidades, como é o caso da tradição paratiense, ao se assemelhar à capital carioca.

“Tudo se inicia aqui na Igreja Matriz”, explicou o museólogo e arquiteto Júlio Cézar Dantas dando início ao encontro promovido no dia 21 de março pelo Museu de Arte Sacra de Paraty e pela Paróquia de Nossa Senhora dos Remédios. Com o objetivo de visitar os portais espalhados pelo bairro histórico, também tiveram a oportunidade de destacar a participação das Irmandades do Senhor dos Passos e de Nossa Senhora das Dores, colaboradores responsáveis por cuidar dos Passos da Paixão, anualmente, sempre a partir de novembro.

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Direcionada inicialmente apenas para paroquianos, a ação foi aberta ao público e recebeu curiosos, locais e estudiosos interessados em conhecer mais particularidades sobre o tema. “História das irmandades, detalhes de obras, tudo ia sendo descrito com riqueza de detalhes pelo museólogo, que ainda deixou o grupo com uma pulga atrás da orelha”, comentou o perfil da Pascom Paraty. Parte da equipe da Secretaria de Cultura também compareceu e registrou a primeira atividade bem-sucedida proposta pelas instituições.

Há uma ordem narrativa na disposição dos passos, sendo três na rua do Comércio, um na rua Dona Geralda, outro na lateral da Igreja Santa Rita e o último de construção mais baixa e larga encostado à praça central. Quatro passos foram demolidos em 1922 por falta de manutenção e condições econômicas de conservar os materiais frágeis à ação do clima úmido e salobro do litoral, situação estendida até os dias atuais quando o assunto é maré.Inteiramente restaurado em 2009, o terceiro passo tem o pórtico de pedra, com o retábulo original, a portada de calha de madeira lavrada (mais rústica) e estima-se que tenha sido erguido em 1770. A maior curiosidade é perceber que o sobrado construído contornando a “capela” é datado em 1851, sinalizando outra vez a importância do portal. “Em Paraty percebemos forte influência do que era feito em Lisboa e outros locais de Portugal”.

Na Semana Santa as estruturas são ornamentadas com painéis e recebem as telas de Valter Paiva, artista criador das pinturas já no século 20. Sobre a “pulga atrás da orelha”, é válido destacar o ponto levantado pelo condutor e que está localizada na segunda rua: trata-se de uma pedra ampla no chão, com proporções idênticas às inseridas de frente às demais portadas, demonstrando a possibilidade de ter havido um processo de construção de um passo justamente ali. Pesquisas feitas e apresentadas no doutorado de Júlio não comprovam nenhum dado acerca dessa discussão, mas descreve o fenômeno a título de observação histórica.

O calvário, descrito como o sétimo passo, é montado na Matriz. Neste ano as pessoas poderão ver de perto os Passos da Paixão na Procissão do Encontro, agendada para acontecer no dia 4 de abril, às 19h30. Confira a programação completa:

 

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Texto: Débora Monteiro e Matheus Ruffino

Fotografia: Filipe Campos

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