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RETOMADA DO MINISTÉRIO DA CULTURA E MARGARETH MENEZES NA GESTÃO

RETOMADA DO MINISTÉRIO DA CULTURA E MARGARETH MENEZES NA GESTÃO

14/12/2022 15h00 | 435

Eu falei Ministério da Cultura, eu falei Margareth Menezes!

 A narrativa da Política Cultural Nacional é contada com o olhar voltado para alguns processos de mudança que marcaram o setor. Tais transformações estão fortemente presentes em três gestões diferentes, mas que seguiram uma linha de continuidade em seus conceitos. É a partir dessas construções que a nova ministra chega à Esplanada dos Ministérios. Veja o breve histórico.

  • Mário de Andrade em 1930 foi figura-chave para iniciar o debate sobre erudito versus popular e construção da identidade nacional.
  • Em 1970, o campo da cultura recebeu Aloísio Magalhães, neste período o país ganha a instalação de um grande número de instituições culturais e estuda a criação de um Ministério da Cultura.
  • Nos anos 2000, o MinC foi marcado pela gestão Gil/Juca tendo o Ministério alcançado protagonismo, não só no Brasil, mas internacionalmente, ao propor uma pauta de discussão a respeito do desenvolvimento econômico, sobre as comunidades tradicionais, assim com sobre as classes populares e o estabelecimento de políticas públicas descentralizadas por meio do Sistema Nacional de Cultura (SNC).

Em 2019 houve uma ruptura no processo de desenvolvimento do setor, com a chegada da extrema direita à Presidência do Brasil e a extinção do Ministério da Cultura, sendo suas atribuições incorporadas ao Ministério da Cidadania num primeiro momento, em seguida ao Ministério do Turismo. Para 2023, após a eleição de um partido de esquerda, está previsto o retorno de um Ministério próprio para o setor cultural sob o comando pela primeira vez de uma mulher negra, Margareth Menezes.

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Há mais de 30 anos transitando pelos caminhos da cultura, Maga, como é carinhosamente conhecida, é uma artista multifacetada. De origem humilde, a baiana carrega consigo uma trajetória marcada por inúmeras conquistas e reconhecimento, seja nacional ou internacional. Ancorada no repertório profissional que construiu até então, além do desejo de reestruturar as bases do setor cultural, Margareth tem a missão de dar ao MinC, a partir de 2023, o valor e a importância que lhe foi tirado nos últimos quatro anos.

Embaixadora da IOV-UNESCO, a artista contribui com a salvaguarda e fomento de expressões culturais do Brasil de forma multisetorial. Sua atuação como gestora cultural teve início com a fundação da Associação Fábrica Cultural, projeto que auxilia no engajamento sociocultural da Bahia e desenvolve ações em torno da educação, empreendedorismo e sustentabilidade. Na direção do Mercado Iaô, a artista também movimenta e incentiva parte da economia criativa da capital soteropolitana, organizando um espaço com diferentes agentes culturais do ramo das artes visuais, gastronomia, música, artesanato, moda e muito mais. Recentemente, Margareth Menezes foi eleita uma das 100 pessoas negras mais influentes do mundo pela lista da Most Influential People of African Descent.

Desde a década de oitenta, período de estreia também no teatro, ela é um símbolo da musicalidade nacional, do movimento AfroPopBrasileiro e precursora do gênero samba-reggae, principalmente após a gravação daquela que se tornou um clássico influente no Carnaval baiano, ‘Faraó - Divindade do Egito’, que também a consagrou nos ritmos do axé music. Margareth é uma figura conhecedora das variadas faces que a arte e seus significados podem representar. O histórico trilhado até a atualidade demonstra o compromisso com a engrenagem dessa categoria significativa para todos.

A cultura brasileira festeja o retorno do Ministério da Cultura para seguir adiante o processo evolutivo, assumindo o seu espaço constitucionalmente legítimo nesta trajetória. A retomada na totalidade de programas, projetos e leis que constituem o Sistema Nacional de Cultura são de grande importância para novas implementações das políticas públicas voltadas para o setor, sendo este, um dos mais relevantes para o desenvolvimento econômico nacional.

Viva o retorno do MinC e o fortalecimento de políticas culturais! Viva a Ministra da Cultura Margareth Menezes!

 

Texto por: Paula Fabricante, Matheus Ruffino e Luara Marques

Fotografia de capa: José de Holanda/El País

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